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terça-feira, 22 de junho de 2010

Menina Veneno - Letra

Meia-noite no meu quarto
Ela vai subir
Ouço passos na escada
Vejo a porta abrir
Um abajur cor de carne
Um lençol azul
Cortinas de seda
O seu corpo nu

Menina Veneno
O mundo é pequeno demais pra nós dois
Em toda cama que eu durmo
Só dá você, só dá você,
Só dá você, (yeah, yeah, yeah, yeah)

Seus olhos verdes no espelho
Brilham para mim
Seu corpo inteiro é um prazer
Do principio ao sim
Sozinho no meu quarto
Eu acordo sem você
Fico falando pras paredes
Até anoitecer

Menina Veneno
Você tem um jeito sereno de ser
E toda noite no meu quarto
Vem me entorpecer, me entorpecer
Me entorpecer, (yeah, yeah, yeah, yeah)

Meia-noite no meu quarto
Ela vai surgir
Eu ouço passos na escada
Vejo a porta abrir
Você vem não sei de onde
Eu sei vem me amar
Eu nem sei qual o seu nome
Mas nem preciso chamar

Hoje em dia

Seu CD solo mais recente, entitulado Autofidelidade, foi lançado em junho de 2002 pela DeckDisc. É um disco de músicas inéditas, seu primeiro lançamento solo em mais de 10 anos, e vem com 14 faixas, 5 delas cantadas em inglês. O primeiro single Lágrimas Demais foi tema da personagem da Vera Fischer na novela Global Agora É Que São Elas. Desde 2004 tem voltado cada vez mais à estrada, percorrendo o Brasil todo fazendo shows com sua banda e também como integrante de um road-show dos Anos 80 composto de colegas e convidados da nata do BRock, sob a batuta do seu amigo Leo Jaime. O DVD deste show, gravado para o programa Multishow em junho de 2005 no teatro Olympia de São Paulo, um sucesso de público e crítica, foi premiado recentemente com um disco de platina pela venda de mais de 78,000 exemplares. Uma faixa, entitulada Fala, que gravou num disco tributo ao Secos e Molhados em 2003, pela Deckdisc, foi selecionada como tema para a personagem de José Mayer na novela da Globo, A Favorita, que estreiou em junho de 2008. Mora no Rio de Janeiro com a sua mulher, Leda, suas duas filhas, Mary e Lynn, e sua cadelinha, da raça Cão D'Água Português, que atende pelo nome de Joaquina.

Além de suas músicas

Além de se dedicar à música, gosta de pilotar computadores e engenhocas MIDI desde 1985 e também atua na área de multimídia com gravações para projetos educacionais em CD ROM como MPB para Crianças, e a produção de arquivos MIDI de ritmos brasileiros para Keyfax Software (a série Twiddly Bits) com o super-batera Alfredo Dias Gomes. Desenhou a Vitrola Virtual, um songbook interativo para guitarristas, para o Lulu Santos, como parte integral do seu website oficial. O site foi votado pela IBest entre os 10 melhores websites de 1997, na categoria Arte & Cultura. Uma parte do site do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade, uma versão interativo do livro, O Avesso das Coisas, também foi desenvolvido por Ritchie em 1998, junto com o neto do poeta, Pedro Drummond. Hoje em dia trabalha apenas ocasionalmente como websound designer mas por boa parte dos anos 90, chegou a trabalhar nisso quase em tempo integral. Em 1999, foi convidado por Thomas Dolby (o artista, produtor e fundadador da Beatnik Inc.) para desenhar e implementar a sonorização dos websites da Yahoo! Digital e Beatnik. Recentes trabalhos sonorizados no Brasil incluem o USINACIFRAS (um songbook interativo para guitarristas, movido à Beatnik) da hoje já extinta Usina do Som. Hoje em dia Ritchie não trabalha muito mais como consultor free-lancer de web, simplesmente porque não dá mais tempo. A música sempre falou mais alto em sua vida.

Nas novelas

Várias músicas de Ritchie foram escolhidas como tema de novela de TV. Em 1986, a música Transas, escrita por seu tecladista Nico Rezende e seu empresário Paulinho Lima, foi premiada com o Troféu Villa Lobos como o compacto mais vendido do ano, graças em boa parte ao sucesso da novela Roda de Fogo. Outras canções suas utilizadas em novelas são Casanova, Só pra o Vento, Coisas do Coraçao, Mais Você e Um Homem em Volta do Mundo, esta última gravada especialmente para a novela Cara e Coroa de 1996. Projetos especiais dessa época incluem a gravação em Londres de músicas feitas em parceria com Dominic Miller. Amigo de longa data, Dominic é o atual guitarrista da banda do Sting, com quem escreveu o megasucesso Shape of My Heart.

Os discos

Até hoje, tem 8 discos solos lançados no Brasil. O mais recentemente é o cd/dvd/blu-ray Outra Vez (ao vivo no estúdio) lançado por seu próprio selo PopSongs. É o primeiro Blu-ray de um artista a ser gravado, produzido e fabricado no Brasil. Isso sem contar com as várias coletâneas da SonyMusic e um disco como integrante da banda all-star Tigres de Bengala ao lado de Vinicius Cantuária, Mu & Dadi (A Cor do Som), Claudio Zoli e Billi Forghieri (Blitz). Já participou, como convidado especial, em discos de Caetano Veloso, Gilberto Gil (seu disco de '84, Raça Humana é generosamente dedicado à pessoa de Ritchie), foi o convidado especial em diversos projetos de artistas como Wagner Tiso, Kid Abelha e Flávio Venturini, entre outros. Realizou shows nos Estados Unidos, Paraguai, Uruguai, Peru e em todo o território brasileiro.

Enfim, o sonhado sucesso...

Em junho do 1983, foi lançado seu primeiro LP solo, Vôo de Coração, que teve a sorte de repetir o sucesso da música carro-chefe. Ao todo, 5 faixas do disco, Menina Veneno, A Vida Tem dessas Coisas, Casanova, Pelo Interfone, e a canção-título, Vôo de Coração ocuparam os primeiros lugares das paradas de sucesso brasileiras. Em 1984 foi premiado com o prestigioso Trofeu Imprensa como melhor cantor do ano 1983. Seus concorrentes na mesma categoria eram ninguém mais ninguém menos que Roberto Carlos e Tim Maia. Uma honra e uma temeridade! No mesmo ano, montou uma banda com Nico Rezende (teclados), Torquato Mariano (guitarras), Fred Maciel (bateria), Nilo Romero (baixo), Chico Sá (sax), Mariza Fossa & Sonia Bonfá (vocais) e embarcaram numa turnê nacional de mais de 140 cidades brasileiras além de excursionarem por vários países da América Latina. Enquanto estavam na estrada, souberam que o disco havia ultrapassado a marca mágica de um milhão de discos vendidos. Foi a realização de um sonho. Em 1985, foi convidado a participar do megaclipe/filme promocional do Mick Jagger, entitulado Running Out of Luck. No filme fez o papel de um popstar britânico que chega no Brasil pela primeira vez. A cena, onde entra acompanhado de seu manager, Dennis Hopper, foi filmada no aeroporto Santos Dumont, no Rio.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Uma certa Menina Veneno

Liminha, nessas alturas, já era aluno de inglês de Ritchie e produtor na Warner. Ele o ajudou a fazer, em '82, a primeira demo em 4 canais da música Menina Veneno. Empolgado com o resultado, mas sem conseguir despertar ainda o interesse de nenhuma gravadora, se juntou a este e outros músicos e produtores amigos para gravarem, em apenas 8 canais, uma fita para o selo independente, Vinyl. Na faixa Vôo de Coração, teve o apoio, nas guitarras, do seu amigo de outros carnavais, Steve Hackett, recém-saído da banda Genesis. A fita resultante caiu, por acaso, nas mãos de um alto executivo do selo Epic (CBS), que resolveu comprar a briga e lançar, tentativamente, a música Menina Veneno em fevereiro de 1983. Para a surpresa de todos, (inclusive a Ritchie), o compacto simples se tornou um dos maiores fenômenos da indústria, alcançando em poucas semanas a marca de mais de meio milhão de cópias vendidas, fato até então inédito no mercado brasileiro para um disco de estreia.

Foi quando Jim Capaldi me ligou...

O primeiro encontro pessoal com o Jim Capaldi, (baterista e letrista da banda pioneira inglesa, Traffic), foi quando ele esteve de férias no Rio em 1974. Jim se tornou um grande amigo de Ritchie. Ele era casado com uma carioca e passava longas temporadas no Rio. Às vezes, ele gravava suas demos de novas músicas no pequeno apartamento de Ritchie, em Copacabana. Em 1980, Jim o convidou para voltar à Londres, onde participou, como vocalista e arranjador, de seu álbum solo, Let the Thunder Cry. De repente se encontrou trabalhando ao lado de cobras como Steve Winwood (Traffic), Andy Newmark (John Lennon etc.), Simon Kirke (Free, Bad Company), Reebop Kwaaku Bah (Traffic) e Mel Collins (King Crimson). Quando voltou ao Brasil, decidiu procurar novamente Bernardo Vilhena, que havia feito algumas letras para a extinta banda, Vímana. Começaram a compor juntos as músicas de um eventual disco solo, que, pela primeira vez, seria cantado inteiramente em português.

Vímana

Em 1975, aceiteou um convite para ser cantor e flautista na banda progressiva carioca, Vímana. Inicialmente foram contratados para acompanhar a atriz Marilia Pêra na peça musical A Feiticeira. Ritchie tocava flauta. O Vímana utilizava o teatro às tardes para ensaiar exaustivamente. Os outros integrantes da banda eram o guitarrista, Lulu Santos, o baterista Lobão, o baixista, Fernando Gama e o tecladista, Luiz Paulo Simas. Tocavam com frequência no Museu de Arte Moderna e principalmente nos teatros do Rio, conquistando, aos poucos, um público fiel ao estilo híbrido de rock-jazz-pop-samba-funk progressivo. Em 1977, foi lançado o único compacto simples Zebra pelo selo Som Livre da banda. O LP foi arquivado pela gravadora que alegava não haver público para o rock no Brasil. No final dos anos 70, Vímana chegou a ensaiar, como banda de apoio, com o tecladista suiço, Patrick Moraz, (ex-Yes, ex-Moody Blues etc.). Insatisfeito com a situação, Lulu deixou a banda para se dedicar a sua carreira solo. Com a saída de Lulu Santos, a banda se dissolveu e cada integrante foi para seu lado. Voltou ao ensino de inglês em tempo quase integral, tocando música por prazer. Quase chegou a acreditar que tocar rock no Brasil era uma causa perdida.

Rumo à Cidade Maravilhosa

Deu muitas aulas de inglês (particularmente e, mais tarde, na Escola Berlitz). Seus alunos daquela época incluiam o multi-instrumentalista, Egberto Gismonti, a cantora Gal Costa e o saxofonista Paulo Moura. No caso desse último , eu dava aulas de inglês em troca por aulas de flauta.
Inicialmente fazendo backing vocais e tocando flauta, participou do grupo de jazz-rock Soma liderado pelo baixista Bruce Henry. O percussionista da banda era Alyrio Lima, (que chegou a gravar, anos depois, quando já morava nos EUA, com o grupo fusion, Weather Report, com o trompetista, Miles Davis e com o guitarrista, John McLaughlin). Logo depois entrou para A Barca do Sol, como flautista, (ao lado dos violonistas, Nando Carneiro e Muri Costa, o percussionista, Marcelo Costa e o violoncellista e arranjador, Jaques Morelenbaum). Em determinado momento sugeriu que ele cantasse, em vez de tocar flauta, e foi prontamente despedido da banda! Afinal, como o próprio Ritchie disse: "onde já se viu um gringo cantando MPB em português? Um absurdo!".

Ritchie e os brasileiros...

Durante as gravações do disco do Everyone Involved, o guitarrista Mike Klein apresentou a Ritchie um grupo de colegas brasileiros, Lucinha Turnbull, Sandra Werneck, Rita Lee e Liminha, estes dois últimos integrantes da banda Os Mutantes, que estavam visitando a Inglaterra para comprar instrumentos. Surgiu desse encontro uma forte amizade e o convite para conhecer o Brasil e eventualmente tocar com eles. No final de '72 Ritchie embarcou, com armas e bagagens, para o Brasil onde acabou formando, em São Paulo, a banda Scaladácida com Fabio Gasparini (guitarras), Sérgio Kaffa (baixo), e Azael Rodrigues (bateria). A banda acabou ficando bastante conhecida em São Paulo onde faziam shows ao vivo com frequência. Surgiu a possibilidade de um contrato com a gravadora Continental, mas ainda sem um visto regularizado, não pôde assiná-lo. Com a dissolução da banda no final de '73, decidiu tentar a sorte no Rio de Janeiro com sua mulher, a arquiteta e estilista carioca, Leda Zuccarelli.

Um pouco de Ritchie...

Ritchie, é o apelido há anos, mas o nome verdadeiro é Richard David Court. Nascido em Beckenham, no condado de Kent, no Sul da Inglaterra no dia 6 de março de 1952. Durante a infância e adolescência, por ser filho de militar, morou em diversos países como Quênia, Dinamarca, Italia, Alemanha, Iêmen do Sul e Escócia, além de várias localidades da Inglaterra. Estudou em colégios internos, primeiro Tormore School (dos 7 aos 13 anos), Sherborne School (dos 13 aos 19 anos) e depois cursou a faculdade de literatura inglesa na Universidade de Oxford. Em 1972, deixou os estudos para tocar flauta numa banda iniciante de Londres chamada Everyone Involved com mais de 20 integrantes. Gravaram um LP, Either/Or, no mesmo ano, em colaboração com outros artistas londrinos, para contestar os planos de modificação de Piccadilly Circus, no West End da capital. Algumas centenas de cópias foram prensadas e distribuidas gratuitamente na rua. Havia até um selo no disco com os seguintes dizeres:

- Se você pagou por isto, você foi roubado!